A próxima fronteira da segurança digital: o desafio de proteger o comércio agêntico

O “próximo agora” (The Next Now), foi tema da NRF 2026, em Nova York, e traduziu com precisão o momento atual: o futuro deixou de ser uma meta distante e passou a acontecer em tempo real. No varejo, isso significa que inovação, automação e experiência precisam coexistir com segurança e confiança, simultaneamente e em escala.

A Inteligência Artificial esteve no centro das discussões, confirmando sua transição de ferramenta experimental para infraestrutura operacional. Hoje, ela está presente em toda a cadeia de valor: da previsão de demanda ao atendimento, da precificação dinâmica às transações de pagamento.

Mas, à medida que a IA se consolida no coração do varejo, também surgem novas superfícies de risco e vulnerabilidade digital.

Entre os temas mais discutidos na NRF, o comércio agêntico (Agentic Commerce) se destacou como o próximo grande salto do e-commerce. Estamos falando de agentes de IA capazes de pesquisar, comparar e até comprar produtos em nome dos consumidores, com base em preferências, histórico e limites definidos pelo usuário. É uma disrupção com potencial para oferecer maior conveniência e eficiência, mas que também amplia significativamente os desafios de segurança cibernética.

Esses agentes autônomos alteram o paradigma de confiança. Sem os sinais tradicionais de autenticação - como dispositivo, IP ou padrão de digitação -, detectar fraudes em tempo real torna-se mais complexo. Fraudes de triangulação, agentes falsos, carteiras digitais não homologadas e o uso indevido de credenciais são apenas algumas das ameaças que emergem nessa nova arquitetura digital.

A resposta da indústria vem se estruturando em três frentes principais, amplamente debatidas no evento:

  1. Identidade confiável: autenticação biométrica, passkeys e tokenização substituem senhas e criam camadas invisíveis de proteção, preservando a fluidez da jornada.
  2. Agentes verificados: frameworks como o Trust Agent Protocol, em desenvolvimento por empresas do setor de pagamentos como a Visa, estabelecem regras de confiança e autenticação entre agentes, comércios e emissores, promovendo interoperabilidade segura.
  3. IA contra IA: modelos inteligentes de defesa capazes de reconhecer padrões, antecipar comportamentos anômalos e bloquear fraudes em milissegundos.

Essa nova camada de segurança evolui de uma postura reativa para uma abordagem adaptativa, baseada em colaboração entre varejistas, adquirentes, emissores, provedores de tecnologia e reguladores.

Na era do Next Now, os pagamentos deixaram de ser o ponto final da jornada para se tornarem o núcleo da experiência de compra e um componente essencial da segurança digital. Além de processar transações, eles validam identidade, confirmam intenção e proporcionam integridade em um ambiente cada vez mais automatizado. E, cada vez mais, também funcionam como fonte de inteligência, conectando dados, comportamento e contexto para orientar decisões estratégicas de negócio, do design de experiências à gestão de risco.

O Brasil, referência global em digitalização de pagamentos, mostra como inovação, infraestrutura e colaboração podem acelerar a confiança digital. Segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), o valor transacionado por meios eletrônicos ultrapassou R$ 2 trilhões no primeiro semestre de 2025, um avanço de 9,9% em relação ao ano anterior*. Esse crescimento reflete um mercado cada vez mais conectado, que exporta soluções em tokenização, biometria e inteligência artificial aplicada à prevenção de fraudes, consolidando o país como líder em inovação no ecossistema global.

É nesse contexto que as empresas de tecnologia de pagamento desenvolvem padrões técnicos e protocolos de confiança que servirão de base para o comércio agêntico. O objetivo é claro: tornar cada transação - humana ou autônoma - mais segura, sem fricção visível para o usuário.

A automação não elimina o risco; apenas o redefine. O verdadeiro desafio está em equilibrar eficiência com ética, velocidade com segurança, e inovação com propósito. No fim das contas, cibersegurança e inovação caminham juntas, uma sustentando a outra.

O comércio do futuro será cada vez mais autônomo, mas a confiança continuará sendo construída por pessoas. E proteger essa confiança será, mais do que nunca, o diferencial competitivo que separa as marcas preparadas das que apenas seguem o fluxo.

 

* Abecs (Balanço do 2º trimestre de 2025 - AGO/2025):

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