Quando um grande patrocínio deixa de ser vitrine e passa a gerar valor
Na Copa do Mundo da FIFA 2026TM, mais do que ampliar visibilidade, marcas buscaram transformar seus ativos de patrocínio em experiências, relacionamento e oportunidades para diferentes públicos
Camila Novaes, diretora de Marketing na Visa do Brasil
Durante muito tempo, o sucesso de um grande patrocínio era medido pela exposição da marca. Quanto mais tempo o logotipo aparecia na tela ou mais pessoas eram impactadas por uma campanha, maior parecia ser o retorno do investimento. Esse raciocínio continua válido, mas deixou de ser suficiente.
Hoje, especialmente quando falamos em eventos globais de grande escala, o desafio vai além de “aparecer”. A pergunta passou a ser outra: como transformar um investimento dessa dimensão em algo que gere valor para consumidores, clientes, parceiros e comunidades?
A resposta dificilmente está em uma única campanha. Ela passa por criar experiências relevantes para públicos diversos, fortalecer relacionamentos e desenvolver iniciativas que façam sentido para diferentes momentos da jornada. O patrocínio deixa de ser apenas um espaço de exposição e passa a funcionar como uma plataforma de conexão.
É interessante observar como empresas de segmentos variados têm explorado esse movimento. No setor de meios de pagamento, por exemplo, um mesmo ativo pode dar origem a campanhas promocionais com parceiros, experiências exclusivas para clientes, ativações voltadas ao entretenimento, iniciativas para pequenos empreendedores e projetos de impacto social.
Um exemplo disso foi a estratégia desenvolvida pela Visa para a Copa do Mundo da FIFA 2026TM. A partir do patrocínio de longa data, a empresa estruturou um ecossistema com mais de 20 campanhas realizadas em parceria com 19 clientes no Brasil, além de uma campanha proprietária voltada aos torcedores. O objetivo foi transformar o patrocínio em uma plataforma capaz de gerar conexão com diferentes públicos e apoiar objetivos de negócio.
Essa lógica também mostrou uma mudança importante no papel do patrocinador. Em vez de concentrar todo o protagonismo na própria marca, muitas empresas têm optado por compartilhar seus ativos com parceiros comerciais, permitindo que cada um desenvolva ações alinhadas ao perfil dos seus clientes e às suas estratégias de relacionamento.
Na prática, isso significa criar diferentes portas de entrada para uma mesma paixão. Durante o torneio, iniciativas como eventos de acompanhamento dos jogos, experiências para clientes e ativações voltadas ao empreendedorismo ajudaram a levar a atmosfera da competição para além dos estádios. No caso da Visa, foram realizadas 32 watching parties, que alcançou mais de 100 mil pessoas, além de uma operação de hospitalidade que levou mais de 500 convidados (entre consumidores vencedores de promoções, creators e executivos) para acompanhar partidas presencialmente.
Outro ponto que chamou atenção foi a necessidade de equilibrar escala e relevância. Um evento dessa dimensão é global, mas a experiência de quem acompanha a competição é profundamente local. O torcedor quer viver o jogo da sua maneira. O pequeno empreendedor enxerga uma oportunidade para crescer. Clientes buscam experiências diferenciadas.
Comunidades esperam que grandes eventos também deixem contribuições positivas.
Essa diversidade reforça a necessidade de as marcas pensarem menos em uma grande campanha isolada e mais em um conjunto de iniciativas capazes de atender necessidades diferentes a partir de um mesmo investimento.
Esse olhar também reforça a importância do legado. Grandes eventos esportivos têm a capacidade de mobilizar pessoas e gerar impactos que ultrapassam o período da competição.
Por isso, iniciativas voltadas à inclusão, ao desenvolvimento de comunidades e ao acesso a oportunidades fazem parte cada vez mais da estratégia de patrocinadores que buscam construir conexões duradouras.
Talvez esse seja um dos maiores aprendizados para quem trabalha com marketing. Em um cenário de consumidores cada vez mais exigentes e jornadas cada vez mais fragmentadas, a força de um grande patrocínio tende a estar menos na visibilidade que ele proporciona e mais na capacidade de criar experiências relevantes para cada público envolvido.
Porque os maiores eventos do mundo não são feitos apenas de grandes audiências. São feitos de milhões de experiências individuais.
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