15 anos de combate à fraude: a infraestrutura invisível que sustenta o comércio digital
O e-commerce brasileiro acabou de completar 30 anos. Ao longo dessas três décadas, o setor transformou profundamente a forma como compramos, vendemos e nos relacionamos digitalmente. Mas uma das evoluções mais importantes de todo esse período aconteceu longe dos olhos do consumidor: a construção da confiança necessária para que o mercado pudesse prosperar, superando o receio inicial que muitos brasileiros tinham de inserir dados de cartão em um site.
Nos últimos 15 anos, acompanhamos essa transformação de perto. Foi um período em que o comércio eletrônico amadureceu rapidamente e os ataques cibernéticos acompanharam esse ritmo. As fraudes se profissionalizaram e hoje são operadas por organizações altamente estruturadas. Essa sofisticação fica clara nos números atuais de mercado: no Brasil, o ticket médio de uma tentativa de fraude já atinge R$ 1.200, um valor consideravelmente superior ao ticket médio de uma venda legítima, que fica em torno de R$ 7401. Além disso, cerca de 30% dessas investidas criminosas possuem incompatibilidade de geolocalização e são barradas na hora1.
Nessa nova fase de evolução, ferramentas como deepfakes, identidades sintéticas e sistemas automatizados capazes de simular comportamentos legítimos tornaram-se parte da realidade enfrentada diariamente. À medida que a tecnologia avança, o crime também se torna mais eficiente, transformando a segurança digital em uma corrida permanente de inovação.
Foi nesse contexto de mercado que, há 15 anos, empresas de tecnologia de pagamentos como a Visa estruturaram suas primeiras operações dedicadas de soluções de aceitação e gerenciamento de risco no Brasil. O objetivo era ajudar a criar uma infraestrutura capaz de sustentar o crescimento seguro do e-commerce em um dos mercados mais promissores e desafiadores do mundo.
O Brasil reuniu duas características que marcam o setor até hoje: enorme potencial de escala e elevada complexidade em segurança. Particularidades locais, como o Pix e o parcelamento, exigiram uma abordagem que combinasse interoperabilidade, eficiência e gestão de risco. Essa complexidade transformou o país em um verdadeiro laboratório de inovação em segurança. Tanto que, somente no primeiro semestre de 2025, a inteligência de nossas tecnologias ajudou a evitar R$ 1,4 bilhão em perdas decorrentes de fraudes no país*.
A principal lição dessa jornada é que segurança não deve ser encarada como um atrito. Pelo contrário. Quanto mais eficiente ela se torna, menos visível ela fica. Tecnologias como tokenização, autenticação inteligente e modelos avançados de gerenciamento de risco permitiram reduzir fricções sem abrir mão da proteção. O consumidor muitas vezes nem percebe as diversas camadas de inteligência que atuam em segundos para proteger as transações.
Agora, uma nova transformação já começou com a era do comércio agêntico, em que agentes autônomos de IA realizarão compras em nome dos consumidores. O potencial de conveniência é enorme, mas os desafios de segurança também. Muitos dos sinais tradicionalmente utilizados para avaliar riscos tendem a perder relevância. A pergunta deixa de ser apenas quem está comprando e passa a incluir qual agente está realizando a transação e com qual nível de confiabilidade.
Mais uma vez, será necessário construir uma nova infraestrutura de confiança para sustentar a próxima geração do comércio digital. A diferença é que hoje já contamos com uma base tecnológica muito mais madura, construída ao longo de anos de evolução.
Se os últimos 15 anos ensinaram alguma coisa, é que a confiança continua sendo o principal motor da inovação digital. Olhando para trás, a principal lição dessa trajetória é a de que a segurança não é o que protege o pagamento, mas é o que permite que ele aconteça. E ela continuará sendo a camada invisível que sustentará os próximos capítulos da transformação digital.
* Fonte: Estudo “Tendências de fraude no Brasil” elaborado pela Visa.
Você também pode estar interessado